Pular para o conteúdo

Regularização e licenciamento · Regularização, licenciamento e AVCB

Renovação do AVCB: o que muda em relação à primeira licença

Quanto tempo a licença vale, por que a renovação troca o comprovante de instalação pelo de manutenção e dois prazos que circulam no mercado sem apoio em texto oficial.

23 de setembro de 2026Leitura de 8 minEquipe de engenharia VENCO
Caixa vermelha de mangueira de incêndio fixada em parede, ao lado de uma válvula metálica
Imagem de referência · Syed Hussaini / Unsplash
Todos os artigos

Renovação do AVCB não repete o processo da primeira licença. O pedido é de nova vistoria técnica, feito no sistema Via Fácil Bombeiros, e a diferença principal está num documento: onde a primeira vistoria exigiu comprovante de responsabilidade técnica de instalação das medidas de segurança contra incêndio, a renovação exige o comprovante de manutenção. O projeto aprovado não é reapresentado, salvo quando a edificação mudou de um jeito que obriga a substituí-lo.

Este artigo reúne o que a Instrução Técnica nº 01/2025 estabelece sobre vigência e renovação, o que muda em relação à primeira licença e dois prazos que circulam no mercado sem apoio em texto oficial. Interessa a síndicos, administradoras e responsáveis pelo uso de imóveis comerciais em São José dos Campos e no Vale do Paraíba com licença perto do fim da vigência.

Quanto tempo a licença vale

A vigência de cada licença consta no próprio documento emitido e é definida em razão da ocupação predominante da edificação. A Instrução Técnica nº 01/2025 organiza esses prazos em anexo próprio, e a distribuição é menos variada do que se costuma supor:

OcupaçãoVigência da licença
Residencial, hospedagem, comercial, serviço profissional, educacional, serviço automotivo, saúde e institucional, indústria, depósito, energia e ocupações especiais3 anos
Local com objeto de valor inestimável, local religioso e velório, local para refeição, recreação pública, exposição de objetos ou animais3 anos
Centro esportivo e de exibição, exceto estádio de futebol2 anos
Estação e terminal de passageiros, arte cênica e auditório, clube social e salão de festa, comércio de explosivos2 anos
Estádio de futebol, boate, indústria e depósito de explosivos1 ano

Há duas situações que se afastam dessa tabela. A edificação desabitada e sem atestado de brigada de incêndio recebe AVCB com vigência de um ano. E o AVCB tem a validade estendida em mais um ano além do prazo do anexo quando, no protocolo da vistoria, é anexado um de dois documentos, em vigor: atestado de credenciamento em Organismo de Cooperação Mútua emitido pelo próprio Corpo de Bombeiros, ou certificado ISO 14.001 ou norma similar reconhecida internacionalmente. Essa extensão é do AVCB, e ocupações temporárias seguem prazos próprios, contados em dias.

De onde vem o prazo de cinco anos

A tabela de vigência vai de um a três anos, e a única extensão prevista acrescenta um ano ao AVCB, mediante certificação. Nenhum dos textos em vigor fixa validade de cinco anos. A confusão convive com páginas desatualizadas do próprio órgão, que ainda citam o decreto revogado e a versão anterior de Instruções Técnicas.

O que muda da primeira licença para a renovação

O pedido de renovação é feito diretamente no portal do Via Fácil Bombeiros, e o que se solicita é nova vistoria técnica. As mudanças em relação ao primeiro licenciamento são três:

  • O comprovante de responsabilidade técnica muda de objeto. Na solicitação da primeira vistoria, o comprovante é de instalação das medidas de segurança contra incêndio. Na renovação, é de manutenção. É o documento que leva a discussão da rotina de manutenção para dentro do processo de licenciamento.
  • O projeto não é reapresentado. A planta aprovada é disponibilizada ao vistoriador pelo próprio sistema. Novo Projeto Técnico só é exigido quando a edificação se enquadra nas hipóteses de substituição.
  • A vistoria pode não ser presencial. Na renovação, ela admite meio eletrônico no lugar da visita, pode acontecer depois e pode alcançar apenas parte do conjunto, por amostragem, conforme critérios de risco que o próprio Corpo de Bombeiros define.

Tanto no primeiro licenciamento quanto na renovação, a taxa cobre uma vistoria e um retorno. O retorno cabe quando o agente vistoriador constata irregularidades, e deve ser solicitado dentro de um ano contado do parecer comunicado. Durante a vistoria, deve haver na edificação pessoa habilitada, com conhecimento do funcionamento das medidas, para manuseá-las.

Quando o projeto precisa ser substituído

A licença fica condicionada à manutenção das características originais da edificação licenciada. Por isso, alterações feitas ao longo da vigência podem transformar a renovação em um processo maior. A Instrução Técnica nº 01/2025 exige a substituição do Projeto Técnico quando há, entre outras hipóteses, ampliação que obrigue a redimensionar saídas de emergência ou o sistema hidráulico, ampliação que exija medida nova, mudança de ocupação que amplie as medidas existentes ou crie medida, mudança de leiaute que exija medida nova ou torne ineficaz uma medida existente, e aumento de altura que exija medida nova ou obrigue a redimensionar o sistema hidráulico ou as saídas.

Alterações menores, que não se enquadram nessas hipóteses, seguem por atualização do Projeto Técnico, apresentada por formulário de atendimento técnico. Constatada a alteração durante a vistoria, o caso passa a exigir projeto novo ou atualização, conforme a hipótese em que se enquadra. É a diferença entre uma renovação de rotina e uma obra a planejar, e ela costuma aparecer em reformas de leiaute feitas sem consultar o projeto aprovado.

Dois prazos que circulam sem fonte

O primeiro é a validade de cinco anos, tratada acima. O segundo é a janela de antecedência para pedir a renovação, geralmente apresentada como noventa ou cento e vinte dias. Nos textos em vigor, o que existe é a regra de que a renovação se faz por nova solicitação de vistoria no portal, e o dever, atribuído ao proprietário ou ao usuário pelo Decreto Estadual nº 69.118/2024, de providenciar e manter vigente a licença. Antecedência mínima aparece para ocupações temporárias, que têm regra própria, não para a renovação de AVCB ou CLCB.

Isso não torna a antecedência irrelevante na prática. Há prazo de até trinta dias úteis para a realização da vistoria técnica de licenciamento, há a possibilidade de o parecer voltar comunicado e exigir retorno, e há o tempo de contratar e executar a manutenção que o comprovante vai atestar. Planejar o pedido é decisão de gestão do condomínio ou da empresa, apoiada nesses prazos, e não o cumprimento de uma janela normativa que não existe.

A manutenção que sustenta a renovação

Como o comprovante da renovação é de manutenção, a rotina de conservação das medidas deixa de ser assunto interno e passa a ser o que sustenta o pedido. O Decreto Estadual nº 69.118/2024 inclui entre os deveres do proprietário ou usuário realizar manutenção e testes periódicos das medidas, com relatórios. No programa de manutenção da edificação, essas atividades têm periodicidade própria: o modelo informativo do Anexo A da NBR 5674:2024 situa a recarga de extintores entre as atividades anuais, o teste de funcionamento das bombas de incêndio entre as mensais e a verificação de abertura e fechamento das portas corta-fogo a cada três meses. A iluminação de emergência aparece em mais de uma frequência: teste de funcionamento conforme o fornecedor a cada quinze dias e teste de todo o sistema a cada mês.

A inspeção predial também alcança o tema: a NBR 16747:2020 inclui a segurança contra incêndio entre os requisitos que a avaliação deve considerar. Quem mantém esse registro chega à renovação com o histórico pronto, e não descobre na véspera que uma medida está inoperante. Para prédios anteriores ao regulamento atual, a leitura muda em alguns pontos, tratados em prédio antigo e AVCB; a diferença entre as duas licenças está em AVCB ou CLCB.

Perguntas frequentes

Com quanto tempo de antecedência pedir a renovação do AVCB?

Nenhum texto em vigor fixa janela de antecedência para renovar AVCB ou CLCB. O que existe é a obrigação de manter a licença vigente e a regra de que a renovação é pedida por nova solicitação de vistoria no Via Fácil Bombeiros. Na prática, o planejamento considera o prazo de até trinta dias úteis para a vistoria, a possibilidade de parecer comunicado com retorno e o tempo de executar a manutenção que o comprovante vai atestar.

Precisa refazer o projeto para renovar?

Não, como regra. A planta aprovada é disponibilizada ao vistoriador pelo sistema, e o projeto só é substituído nas hipóteses previstas, como ampliação que redimensione saídas ou o sistema hidráulico, mudança de ocupação que amplie ou crie medida, mudança de leiaute que crie medida ou torne outra ineficaz, e aumento de altura que exija medida nova ou redimensionamento do sistema hidráulico ou das saídas. Alterações fora dessas hipóteses seguem por atualização do projeto, apresentada por formulário de atendimento técnico.

A vistoria de renovação é sempre presencial?

Não. Na renovação, a Instrução Técnica nº 01/2025 admite que a verificação seja feita por meio eletrônico em vez de visita, que aconteça depois e que alcance apenas parte do conjunto, por amostragem, segundo critérios de risco do Corpo de Bombeiros. Em qualquer vistoria, a verificação das medidas é visual e por amostragem, e o órgão não responde pela instalação, pelo teste nem pela manutenção delas.

O que acontece se a licença vencer antes da renovação?

O regulamento estadual coloca entre os deveres do proprietário ou usuário providenciar e manter vigente a licença. Vale registrar o que o texto diz e o que ele não diz: o rol de infrações do regulamento não traz item de licença vencida, e sim o de edificação sem licença do Corpo de Bombeiros, classificado entre as graves. Tratar uma situação como a outra é leitura, não texto. O procedimento de fiscalização começa por advertência escrita com prazo de correção, e a conduta indicada é solicitar a nova vistoria e resolver as pendências de manutenção que o comprovante precisa atestar.

Normas e fontes citadas

  • ABNT NBR 5674:2024 · Manutenção de edificações: requisitos para o sistema de gestão de manutenção (Anexo A)
  • ABNT NBR 16747:2020 · Inspeção predial: diretrizes, conceitos, terminologia e procedimento (5.1)
  • Instrução Técnica nº 01/2025 · texto oficial
  • Decreto Estadual nº 69.118/2024 · texto oficial

VENCO Engenharia

Regularização de imóvel e AVCB no Vale do Paraíba

A VENCO Engenharia atende São José dos Campos e a região do Vale do Paraíba, com ART e documentação técnica em cada obra.

  • Regularização de imóvel: levantamento do imóvel, memorial descritivo e ART para a regularização da construção
  • AVCB e CLCB: obtenção e renovação do auto e do certificado do Corpo de Bombeiros
  • Laudo técnico e parecer: laudo e parecer de engenharia civil para avaliação de segurança, regularização e tomada de decisão, com ART

Conteúdo técnico elaborado pela equipe de engenharia da VENCO Engenharia, empresa de engenharia civil de São José dos Campos. Os requisitos normativos remetem à edição de cada norma indicada acima, vigente na data de publicação.

Este conteúdo é informativo e não substitui vistoria com responsabilidade técnica registrada. Os requisitos citados devem ser confirmados no exemplar licenciado da norma.