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Em pauta · Cobertura e impermeabilização

Telhado quente na onda de calor: o que reduz o calor que entra na casa

Cor da telha, isolamento, manta refletiva, telha cerâmica e telhado verde comparados com medições da UFSC e da USP, e a solução que atende cada tipo de telhado na reforma.

27 de setembro de 2026Leitura de 9 minEquipe de engenharia VENCO
Telhados vizinhos com telhas cerâmicas alaranjadas, telhas cinza-escuras e placas de ardósia, lado a lado, com janelas de sótão
Imagem de referência · Jack Price-Burns / Unsplash
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Numa onda de calor, quem mora sob telha de fibrocimento ou metálica sente o calor que vem do telhado, e a solução depende do que existe hoje na cobertura. Na leitura técnica da VENCO, com base nas medições de uma tese da UFSC, entre as soluções que mantêm o telhado de telhas, o que mais reduziu o calor que entra foi isolar o vão entre a telha e o forro, com placa isolante sobre o forro ou manta refletiva sob a telha. A pintura branca da telha chegou perto na média de seis meses, ficou mais para trás de outubro a dezembro e, na leitura da VENCO, pede limpeza e repintura para manter o efeito. Telha cerâmica já parte de um desempenho melhor que o fibrocimento cinza, e o telhado verde foi o que mais barrou o calor nas medições, mas pede estrutura e manutenção próprias.

O assunto ganhou urgência em São José dos Campos e no Vale do Paraíba no fim de semana de 26 de setembro de 2026. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu aviso de onda de calor com grau de grande perigo, de 26 a 30 de setembro, com o Vale do Paraíba Paulista entre as áreas e temperatura 5 ºC acima da média por mais de cinco dias. Para o proprietário de casa ou de apartamento de cobertura, a dúvida é o que fazer no telhado para a casa esquentar menos, e este artigo responde com o que foi medido.

Por que a casa esquenta pela cobertura

Uma tese de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFSC, aprovada em dezembro de 2018 e publicada pelo Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE) da universidade, parte desse ponto: em países tropicais, o telhado recebe radiação solar intensa, que pesa na carga de resfriamento de quem tem ar-condicionado e no conforto de quem não tem, e reduzir o ganho de calor pela cobertura é uma das maneiras de gastar menos energia e deixar os ambientes mais confortáveis.

Segundo a tese, o calor que atravessa a cobertura depende de vários fatores: o material da telha e do forro ou da laje, a cor da superfície externa, a presença de isolamento térmico, a ventilação do vão sob o telhado e a umidade que evapora da telha.

A cor da telha

Uma pesquisa do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP, em São Carlos, divulgada pelo Jornal da USP em 2019, mediu em laboratório a absortância de cada cor de tinta, isto é, quanto da radiação solar a superfície absorve. A cor branca absorve 20% e reflete 80%. A preta reflete apenas 2%. Entre as cores preta e branca, a diferença de temperatura na superfície pode chegar a 41 ºC. A tabela passou a ser usada pelo Procel, programa federal de uso eficiente de energia elétrica. A pesquisadora aponta a contrapartida do branco, o ofuscamento, e indica as cores claras, em tons pastel, que absorvem de 40% a 60%, como meio-termo.

A NBR 15575-5:2025 usa essa propriedade no critério de desempenho térmico da cobertura: em parte das zonas bioclimáticas do país, o limite de passagem de calor fica mais exigente quando a absortância da superfície externa é mais alta (item 11.2.1). A norma também recomenda levar em conta que essa superfície perde desempenho com o uso, e a tese da UFSC registra, na revisão de literatura, que a exposição ao tempo tende a diminuir a refletância dos materiais claros e que poeira, algas e fungos aumentam a absortância. Na leitura da VENCO, isso quer dizer que telha clara suja ou desbotada perde parte do efeito.

O que as medições da UFSC mostram

Na bancada de campo montada em Florianópolis, a tese mediu ao mesmo tempo, de julho a dezembro de 2017, oito coberturas em escala reduzida, com câmaras de ar de mesmas dimensões. A cobertura de referência tinha forro de PVC, câmara de ar e telha de fibrocimento cinza. As demais trocavam a telha, acrescentavam um isolante ou tinham laje de concreto no lugar do forro de PVC. A tabela mostra as médias dos seis meses, com meses frios e quentes juntos, sempre em comparação com a referência.

CoberturaCalor que entra (média de julho a dezembro)Calor que sai (média de julho a dezembro)
Placa isolante de poliestireno expandido (EPS), de 5 cm, sobre o forro68,9% menor57,8% menor
Manta com barreira radiante sob a telha66,2% menor51% menor
Telha de fibrocimento branca59,6% menor4,3% maior
Telha cerâmica porosa34,6% menor2,2% maior
Laje de concreto no lugar do forro, com telha de fibrocimento32,1% menor17,7% menor
Telha cerâmica impermeabilizada24,7% menor11,1% menor

A média junta meses frios e quentes. De julho a setembro, a telha branca, a manta com barreira radiante e a placa de EPS reduziram o ganho de calor em cerca de 70% cada uma. De outubro a dezembro, quando o ganho de calor predominou, a telha branca reduziu o ganho em 48%, a manta em 63% e a placa de EPS em cerca de 70%. A medição foi até o início do verão, sem janeiro a março.

Nos meses frios, de julho a setembro, a telha branca deixou sair mais calor que a referência, e as coberturas com isolamento seguraram mais calor dentro. Em período quente, a tese vê vantagem nessa perda: a telha branca perde mais calor à noite, o que pode ajudar a baixar a temperatura interna, e a autora avaliou que a barreira radiante parece a opção ideal para cidade de clima quente, porque reduz o ganho de dia e deixa sair mais calor à noite que a placa de EPS.

A cobertura verde, com laje de concreto, camada de drenagem, terra e vegetação, reduziu o ganho de calor em 85,2% em relação à referência e em 80,5% em relação à cobertura de laje com telha de fibrocimento, o maior efeito medido. Os números valem para aquela bancada e aquele clima e servem para comparar as soluções entre si; a temperatura de uma casa específica depende da construção dela.

Qual solução atende cada situação

Com esses dados, a recomendação da VENCO muda conforme o telhado que a casa tem hoje.

Na casa com telha de fibrocimento e forro leve, isolar o vão entre a telha e o forro foi o que mais reduziu o calor que entra, com placa isolante sobre o forro ou manta com barreira radiante sob a telha; entre as duas, a manta deixou sair mais calor à noite, o que conta a favor em clima quente. A pintura branca da telha chegou perto na média dos seis meses e ficou mais para trás de outubro a dezembro. Na comparação pelas médias, a autora da tese considerou pequena a diferença entre a telha branca e as coberturas com isolamento, de cerca de 10%, diante do custo envolvido. Ela observou também que o isolamento aumenta a temperatura da superfície das telhas e faz a estrutura da cobertura passar por variações maiores de temperatura entre o dia e a noite, o que pode comprometer a estanqueidade e a resistência. Na leitura da VENCO, a pintura branca pede limpeza e repintura para manter o efeito.

A bancada da UFSC não mediu telha metálica. Em edificação habitacional nova, a NBR 15575-5 exige que a telha metálica, pintada ou não, tenha um valor mínimo de emitância térmica na superfície externa em parte das zonas bioclimáticas, comprovado por laudo técnico reconhecido (item 11.2.1). A norma não se aplica a reforma; na leitura da VENCO, na reforma vale pedir esse dado ao fabricante antes de escolher a telha.

Na casa com telha cerâmica em bom estado, a cerâmica porosa já barrou mais calor que o fibrocimento cinza nas medições. Parte da vantagem veio da evaporação da água da chuva absorvida pela telha: a cerâmica impermeabilizada com resina barrou menos calor que a porosa. Na leitura da VENCO, nesse caso vale avaliar primeiro o forro, a ventilação e a manta sob a telha, antes de pensar em trocar a telha.

A laje de concreto no lugar do forro também reduziu o ganho de calor nas medições. Na leitura da VENCO, quando a casa tem laje e o calor continua forte, o isolamento no vão sob a telha é o próximo passo, e a escolha depende do espaço disponível e do acesso à cobertura.

O telhado verde foi o que mais barrou o calor. Na avaliação da VENCO, ele exige estrutura dimensionada para o peso, impermeabilização e manutenção constante; uma publicação técnica da Cimento Itambé também lembra que é preciso verificar se ele não vai gerar sobrepeso na estrutura e como será a manutenção.

O que a norma de desempenho considera

A NBR 15575-5:2025 estabelece o desempenho térmico mínimo das coberturas de edificação habitacional (item 11.2) e não se aplica a obras concluídas nem a reformas (item 1.2). Na leitura da VENCO, os parâmetros dela servem de referência técnica na reforma do telhado, sem valor de exigência. A norma chama de subcobertura o componente impermeável colocado sob as telhas para barrar pequenas entradas de água antes do forro ou da laje, e admite, em nota, que ele receba película refletiva ou isolante, voltada ao desempenho térmico (item 3.16).

Antes de mexer no telhado

A escolha entre pintar, isolar ou trocar a telha começa pelo estado da cobertura. Na avaliação técnica da VENCO, a vistoria do telhado confere o tipo e a condição das telhas, a estrutura que vai receber o material novo, o forro, a ventilação e os sinais de infiltração, porque isolamento colocado sobre uma cobertura com goteira esconde o problema. O artigo sobre infiltração no telhado trata dos sinais de água na cobertura, que convém resolver antes de qualquer isolamento.

Perguntas frequentes

Pintar o telhado de branco diminui o calor?

Diminui. Nas medições da UFSC, a telha de fibrocimento branca reduziu o ganho de calor em 59,6% na média de julho a dezembro e em 48% de outubro a dezembro, quando o ganho de calor predominou, em comparação com a mesma cobertura com telha cinza. A telha branca deixou sair mais calor de julho a setembro, e, na leitura da VENCO, a pintura pede limpeza e repintura para manter o efeito.

Manta térmica no telhado funciona?

A manta medida na UFSC foi uma barreira radiante, película aluminizada instalada com a face brilhante para baixo e camada de ar até a telha. Ela reduziu o ganho de calor em 66,2% na média de julho a dezembro e em 63% de outubro a dezembro, e também diminuiu a perda de calor. A instalação conta: na mesma tese, a película com a face aluminizada para cima oxidou e perdeu a principal característica em seis meses de uso. Na leitura da VENCO, o estado da cobertura também entra na conta, e a vistoria confere antes.

Qual telha esquenta menos a casa?

Nas medições, a telha cerâmica porosa barrou mais calor que o fibrocimento cinza, e a telha de fibrocimento branca barrou mais que a cinza. Fora o telhado verde, o que mais reduziu o calor que entra foi o isolamento no vão entre a telha e o forro.

A norma de desempenho vale para a reforma do telhado?

A NBR 15575-5 não se aplica a reforma nem a obra concluída. Na leitura da VENCO, os parâmetros dela servem de referência técnica na reforma da cobertura, sem valor de exigência.

Normas e fontes citadas

VENCO Engenharia

Cobertura, reforma e laudo técnico no Vale do Paraíba

A VENCO Engenharia atende São José dos Campos e a região do Vale do Paraíba, com ART e documentação técnica em cada obra.

  • Construção residencial: da fundação à entrega, com projeto estrutural, execução completa e acabamentos
  • Laudo técnico e parecer: laudo e parecer de engenharia civil para avaliação de segurança, regularização e tomada de decisão, com ART
  • Reforma residencial: reforma completa ou parcial de casa e apartamento, com as instalações refeitas conforme o novo layout

Conteúdo técnico elaborado pela equipe de engenharia da VENCO Engenharia, empresa de engenharia civil de São José dos Campos. Os requisitos normativos remetem à edição de cada norma indicada acima, vigente na data de publicação.

Este conteúdo é informativo e não substitui vistoria com responsabilidade técnica registrada. Os requisitos citados devem ser confirmados no exemplar licenciado da norma.