Telha arrancada pelo vento costuma sair da borda do telhado, no beiral e na cumeeira, na experiência da equipe de engenharia da VENCO e de forma coerente com o exemplo de cálculo da norma de desempenho de coberturas. Depois de um temporal, três situações pedem condutas diferentes, na avaliação da equipe de engenharia da VENCO. Poucas telhas deslocadas na borda, com a estrutura de madeira ou metálica no lugar, voltam para a posição antes da próxima chuva, com a fixação revista no trecho atingido e nas demais bordas. Área grande destelhada, ou terça, caibro ou ripa deslocados, recebem cobertura provisória e avaliação da estrutura antes de qualquer recolocação. Telhado que passou pelo temporal sem dano, mas com fixação nunca conferida nas bordas, entra na revisão preventiva antes do próximo evento.
A razão para olhar primeiro a borda está na forma como o vento age sobre a cobertura. O texto a seguir explica por que beiral e cumeeira sofrem mais, o que agrava o arrancamento, o que acontece quando a telha só é recolocada e o que a vistoria da cobertura confere. É escrito para síndico, administradora e proprietário de casa ou de imóvel comercial que precisa decidir o que fazer depois do vento.
Temporais de outubro de 2026 e destelhamentos no estado
O Governo do Estado de São Paulo lançou em 15 de outubro de 2026 a operação SP Sempre Alerta, Operação El Niño 2026/2027, de monitoramento de eventos extremos. Dois dias depois, segundo a Agência SP, a Defesa Civil estadual mobilizou pela primeira vez a força-tarefa da operação, depois de um temporal com rajadas de vento numa cidade da região de Campinas que deixou árvores caídas e imóveis destelhados. O Estado enviou lonas plásticas para a cobertura provisória dos imóveis danificados.
Em 25 de outubro, a Defesa Civil manteve alerta laranja em todo o estado e emitiu 28 alertas para várias regiões, entre elas o Vale do Paraíba, que no conjunto citavam chuva intensa, raios, rajadas de vento e possível granizo. No mesmo levantamento, municípios do interior registraram chamados por destelhamento parcial. Em 27 de outubro, o órgão voltou a prever pancadas com rajadas de vento para os dias seguintes.
O alerta cobre uma área ampla e não indica qual telhado vai ser atingido. Para quem responde por um imóvel em São José dos Campos ou em outra cidade do Vale do Paraíba, ele serve de lembrete para conferir a fixação das bordas do telhado antes do próximo temporal e para ter definido quem faz a cobertura provisória se o vento levar telhas.
Beiral e cumeeira: onde o vento puxa mais
O vento que passa sobre o telhado tende a puxar as telhas para cima, num efeito chamado sucção. A norma de desempenho de coberturas de edificações habitacionais registra que esse esforço age no sentido de arrancar a telha e, em geral, traz risco maior do que o vento que empurra a cobertura para baixo. O cálculo da ação do vento em edificações é assunto da NBR 6123.
O Anexo J da NBR 15575-5:2025, de caráter informativo, traz um exemplo de roteiro de cálculo desses esforços em um telhado de duas águas e separa o telhado em três posições: região central, cumeeira e beiral. Nas Tabelas J.7 e J.9 da mesma norma, montadas para um edifício de 5 m e outro de 15 m de altura, o beiral aparece com o maior esforço em todas as linhas, entre cerca de 1,7 e 1,9 vez o valor da região central, e a cumeeira fica entre os dois. Esses valores partem de hipóteses fixadas no próprio exemplo: telhado de duas águas com inclinação fixada, terreno com muitas obstruções, beiral sem forro e abertura dominante, condições explicadas na seção seguinte. No exemplo do prédio mais alto, os valores das três posições são maiores que os do prédio baixo.
O exemplo vale para as hipóteses que a norma adotou e não substitui o cálculo de cada cobertura. A leitura prática, feita pela equipe de engenharia da VENCO, é que a fixação dimensionada pelo meio do telhado pode não bastar na borda, o que ajuda a explicar por que, na experiência da equipe, o destelhamento costuma começar pelo beiral e pela cumeeira.
Porta aberta e beiral sem forro: o vento por dentro
O mesmo anexo aponta duas condições que aumentam o esforço sobre as telhas, porque fazem o vento empurrar a cobertura também por baixo. A primeira é a abertura dominante: uma abertura com área de três vezes ou mais a soma das aberturas das faces em que o vento puxa para fora, situação que o anexo trata como caso extremo. Na leitura da equipe de engenharia da VENCO, é o caso de um portão ou de uma janela ampla que ficam abertos durante o temporal numa edificação de poucas aberturas. A segunda é o beiral sem forro, em que o vento entra por baixo das telhas da borda. No exemplo de cálculo do anexo, o beiral é calculado com o maior empuxo do vento por dentro que o próprio anexo indica para beiral sem forro.
Para quem administra o imóvel, as duas condições se traduzem em providências simples de verificar: manter fechados portões e janelas grandes durante o temporal, para que nenhuma abertura domine as demais, e saber se o beiral do telhado tem forro ou fica aberto por baixo. Em galpão, garagem coletiva e área de lazer com uma face aberta, a leitura da equipe de engenharia da VENCO é que a abertura permanente pode configurar abertura dominante, conforme a proporção e a posição em relação ao vento, e a fixação da borda merece atenção maior.
Telha recolocada sem rever a fixação
Depois do temporal, a pressa é fechar o telhado. Recolocar a telha que voou resolve a chuva do dia seguinte, mas devolve a borda à mesma condição que acabou de falhar. Na avaliação da equipe de engenharia da VENCO, telha arrancada é sinal de que a fixação naquele trecho, ou o apoio dela, ficou aquém do esforço do evento, e a recolocação feita do mesmo jeito tende a se repetir no temporal seguinte.
A tabela organiza os sinais que costumam aparecer depois do vento e o encaminhamento que a equipe de engenharia da VENCO adota para cada um.
| Situação observada | O que pode indicar | Encaminhamento |
|---|---|---|
| Poucas telhas deslocadas ou caídas no beiral ou na cumeeira, com a estrutura de apoio no lugar | Fixação insuficiente ou desgastada na borda, onde o esforço do vento é maior | Recolocação antes da próxima chuva, com a fixação revista no trecho atingido e nas demais bordas |
| Peças de cumeeira, rufos ou arremates soltos, sem telha caída | Fixação comprometida nos encontros, com caminho aberto para a água | Refixação dos arremates e conferência de infiltração no forro abaixo |
| Área grande destelhada, ou telhas arrancadas no meio do telhado | Esforço que superou a fixação em boa parte da cobertura, ou estrutura de apoio que também se moveu | Cobertura provisória com lona e avaliação da estrutura antes de recolocar |
| Terça, caibro ou ripa deslocados, quebrados ou soltos do apoio | Falha na estrutura do telhado ou na ligação dela com paredes e vigas | Isolamento da área abaixo e avaliação estrutural antes de qualquer recolocação |
| Telhado sem dano, com telhas que se mexem com a mão na borda ou fixações enferrujadas | Fixação desgastada que ainda não foi solicitada por um evento forte | Revisão preventiva da fixação das bordas antes do próximo temporal |
Cada linha é ponto de partida. O sinal visível orienta onde começar, e a causa se confirma em vistoria por profissional habilitado. Quando a telha volta para o lugar, mas a água aparece no forro em outro ponto, o caminho dela dentro da cobertura é o assunto de infiltração no telhado e mancha no teto.
O que a vistoria da cobertura confere
A vistoria depois do vento começa pela segurança: o que pode cair sobre área de circulação, garagem ou vizinho é isolado antes de qualquer outra providência. Em seguida, a equipe de engenharia da VENCO confere a fixação das telhas nas bordas, a amarração da cumeeira e dos arremates, o estado das peças de fixação, a estrutura de apoio e a ligação dela com paredes e vigas, o forro do beiral e as aberturas grandes do imóvel. A vistoria visual registra o que se vê e indica quando a situação pede verificação estrutural ou ensaio.
Quando a decisão é trocar a cobertura, a norma de desempenho dá uma referência útil para a conversa com quem vai projetar e executar, embora não se aplique à reforma. Pelo item 7.1.2.2 da NBR 15575-5, o projeto da cobertura de habitação nova precisa tratar do esforço do vento, com atenção às áreas em que ele puxa a cobertura para cima, e especificar como as peças são fixadas. Na troca de telhado, a recomendação da equipe de engenharia da VENCO é pedir que a fixação das bordas venha especificada, e não deixada para a obra.
A NBR 15575-5 trata de edificações habitacionais e, pelo item 1.2, não se aplica a obras já concluídas nem a reformas. Em telhado existente, e em imóvel comercial ou galpão, a equipe de engenharia da VENCO usa o que ela registra sobre o vento apenas como referência técnica para orientar a vistoria e a decisão, nunca para declarar o telhado em desacordo com a norma.
Revisão da fixação na manutenção anual
O vento encontra o telhado no estado em que a manutenção o deixou. O Anexo A da NBR 5674:2024 traz um modelo informativo de programa de manutenção preventiva, a ajustar a cada edificação, e nele a verificação da integridade estrutural dos componentes, das vedações e das fixações do sistema de cobertura aparece entre as atividades anuais. Na leitura da equipe de engenharia da VENCO, para quem enfrenta a temporada de temporais, a revisão anual mais útil é a que começa pelas bordas.
Para o condomínio e para o imóvel comercial, o registro dessas revisões tem uso direto depois do temporal: separa o dano novo do desgaste que já existia e orienta a previsão de despesas. A subida ao telhado fica com profissional equipado, com acesso seguro à cobertura. A sequência de verificação do prédio inteiro depois da chuva forte está em vistoria após temporal, e os danos por chuva de pedra, em granizo no telhado.
Perguntas frequentes
Por que o vento arranca primeiro as telhas do beiral?
Porque é na borda do telhado que o vento tende a puxar as telhas para cima com mais força. No exemplo de cálculo da norma de desempenho de coberturas, feito com beiral sem forro e com abertura dominante, como portão aberto durante o temporal numa edificação de poucas aberturas, o beiral aparece com esforço entre cerca de 1,7 e 1,9 vez o da região central, e a cumeeira fica entre os dois. As duas condições aumentam o esforço sobre a cobertura, e o valor de cada telhado depende do cálculo dele.
Basta recolocar a telha que o vento levou?
Recolocar fecha o telhado, mas devolve a borda à condição que falhou. Na avaliação da equipe de engenharia da VENCO, a recolocação vem junto com a revisão da fixação no trecho atingido e nas demais bordas. Se a estrutura de apoio também se moveu, a recolocação espera a avaliação dela, com cobertura provisória até lá.
O que fazer logo depois de o vento destelhar a casa ou o prédio?
Isolar a área abaixo do trecho danificado, proteger o ambiente da chuva e não subir no telhado: a subida e a colocação da lona provisória ficam com profissional equipado, com acesso seguro à cobertura. Em seguida, a vistoria da cobertura verifica a fixação das bordas, os arremates e a estrutura de apoio antes da recolocação definitiva.
Como saber se o telhado está preparado para o próximo temporal?
A referência é a revisão periódica da cobertura, com a fixação das telhas, da cumeeira e dos arremates conferida nas bordas, onde o esforço do vento é maior. O modelo de programa de manutenção da NBR 5674 coloca a verificação das fixações do telhado entre as atividades anuais, e a época de temporais é o momento de não deixá-la atrasar.
Normas e fontes citadas
- ABNT NBR 15575-5:2025 · Desempenho — Parte 5: requisitos para os sistemas de coberturas (Anexo J, Tabela J.7, Tabela J.9, 7.1.2.2, 1.2)
- ABNT NBR 5674:2024 · Manutenção de edificações: requisitos para o sistema de gestão de manutenção (Anexo A)
- Defesa Civil de SP mobiliza força-tarefa pela primeira vez na Operação El Niño · Agência SP (Governo do Estado de São Paulo), 17/10/2026
- Defesa Civil de SP emite 28 alertas de chuva e mantém alerta laranja em todo o estado neste domingo (25) · Agência SP (Governo do Estado de São Paulo), 25/10/2026
- Defesa Civil alerta para temporais em São Paulo, com chuvas mais abrangentes na quinta-feira (29) · Agência SP (Governo do Estado de São Paulo), 27/10/2026
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Conteúdo técnico elaborado pela equipe de engenharia da VENCO Engenharia, empresa de engenharia civil de São José dos Campos. Os requisitos normativos remetem à edição de cada norma indicada acima, vigente na data de publicação.
Este conteúdo é informativo e não substitui vistoria com responsabilidade técnica registrada. Os requisitos citados devem ser confirmados no exemplar licenciado da norma.


